Agora estou longe

Então tudo era muito lindo ontem
Hoje eu choro dia e noite
Porque ela não está mais
Porque eu não estou com ela,
Porque agora estou bem longe

Meus passos que vão pela estrada
Me largam à minha própria sorte
Nas planícies e nos montes
Porque eu não estou com ela,
Porque agora estou bem longe

E quando meus olhos a olhavam
E olhavam seus olhos bem perto
Agora nada mais enxergo
Porque eu não estou com ela,
Porque agora estou bem longe

E se eu não pertenço a ela
Não pertencerei a mais ninguém
E estarei onde ninguém me encontre
Porque eu não estou com ela,
Porque agora estou bem longe

E eu não estou em lugar nenhum
Também não estou indo para nenhum lugar
Somente estive com ela tempos longos
Porque eu não estou com ela,
Porque agora estou bem longe

E quando eu estava bem, eu estava lá
Mas quando não estou com ela, estou longe
Somente os ventos sabem por onde
Porque eu não estou com ela,
Porque agora estou bem longe

Para que tentações não me persigam
E solidão do escuro não me siga
Eu corro sem rumo de pega-esconde
Porque eu não estou com ela,
Porque agora estou bem longe

E choro hoje de noite,
como chorei a noite passada
E assim como chorei ontem, chorei anteontem
Porque eu não estou com ela,
Porque agora estou bem longe

E eu preencho meus dias
Preenchendo emoções vazias
Recostado na porta entre devaneios e sensações
Porque eu não estou com ela,
Porque agora estou bem longe

Assim como há céus e terra
Há distância entre amar e estar
E o que eu mais queria era estar perto
Mas eu não estou com ela,
Porque agora estou bem longe

Tudo era muito lindo ontem
Hoje eu choro dia e noite
Porque ela não está mais
Porque eu não estou com ela,
Porque agora estou bem longe
http://letras.terra.com.br/bob-dylan/1226209/

A moça que veio dos portos do nordeste

A moça veio dos portos do nordeste,
usando brincos e laço de fita no sol
Nunca tinha me visto nunca antes,
nem nunca olhado para os meus olhos
Eu estava aqui procurando emprego,
pegar dinheiro e embora quando desse
Mas ela pegou meu coração primeiro,
a moça que veio dos portos do nordeste

O nome da moça eu não sabia de cor,
eu vi que ela usava laço de fita no sol
Ao chegar ela olhou amplamente ao redor
mas encontrou apenas os meus olhos
Eu estava aqui procurando emprego,
pegar dinheiro e embora quando desse
Mas ela pegou meu coração primeiro,
a moça que veio dos portos do nordeste

Não sabia ao certo porque vinha,
essas razões que o destino desconhece
Mas veio para ficar na minha vida,
a moça que veio dos portos do nordeste
Eu estava aqui procurando emprego,
pegar dinheiro e embora quando desse
Mas ela pegou meu coração primeiro,
a moça que veio dos portos do nordeste

Minha casa era pequena, numa rua bem estreita
Ela abriu uma fresta na porta da frente,
mas entrou e morou a vida inteira,
a moça que veio dos portos do nordeste
Eu estava aqui procurando emprego,
pegar dinheiro e embora quando desse
Mas ela pegou meu coração primeiro,
a moça que veio dos portos do nordeste

De certo foi o vento
que trouxe a moça de repente
De certo foi mesmo,
a moça que veio dos portos do nordeste
Eu estava aqui procurando emprego,
pegar dinheiro e embora quando desse
Mas ela pegou meu coração primeiro,
a moça que veio dos portos do nordeste

A moça veio dos portos do nordeste,
usando brincos e laço de fita no sol
Nunca tinha me visto nunca antes,
nem olhado para os meus olhos
Eu estava aqui procurando emprego,
pegar dinheiro e embora quando desse
Mas ela pegou meu coração primeiro,
a moça que veio dos portos do nordeste

O nome da moça eu não sabia de cor,
eu vi que ela usava laço de fita no sol
Ao chegar ela olhou amplamente ao redor
mas encontrou apenas meus olhos
Eu estava aqui procurando emprego,
pegar dinheiro e embora quando desse
Mas ela pegou meu coração primeiro,
a moça que veio dos portos do nordeste

Olhos de nordestina da costa

Já se avistam as jangadas minúsculas
pela distância entre terra e mar
Na claridade frouxa do crepúsculo
meu barco entra na baía bem devagar
E rente a embocadura da foz está
o farol de fonte luminosa
de seus olhos de nordestina da costa

Após incontáveis dias de fogo
e infindáveis noites sem tréguas de água
a proa se aproxima do porto
e o barco deixa um rastro em arco e atraca
E vem um cheiro fresco de ostras
quando vejo o farol de fonte luminosa
de seus olhos de nordestina da costa

O aceno da sua mão embranquece o dia
e umidece meu espírito mareado
O aceno de seu beijo adocica a maresia
e suaviza meu rosto de lado a lado
enquanto pescadores limpam peixes em postas
Quando vejo o farol de fonte luminosa
de seus olhos de nordestina da costa

Os arrecifes deixam meu coração duro
feito as pedras brutas que repousam na praia
sem vontade de navegar de novo no futuro
como as velhas canoas encalhadas na areia
que não zarpam de tantas idas, vindas e voltas
Quando vejo o farol de fonte luminosa
de seus olhos de nordestina da costa

As fragatas à vela se lançam ao mar alto
e ganham o oceano em tempos de guerra
Mas minha roupa é de pescador de maré baixa
com as mãos em paz e o pé firme em terra
e a alma afetuosamente belicosa
Quando vejo o farol de fonte luminosa
de seus olhos de nordestina da costa

Meus pés pisam o píer e deixam o convés
onde o recife do seu olhar está à flor da água
e a orla de seus olhos, na borda das falésias
onde o bando de gaivotas juntam-se à beira-mar
E eu trago uma pérola preciosa na concha
Quando vejo o farol de fonte luminosa
de seus olhos de nordestina da costa

Há um vilarejo aqui que areja um vento bom
onde vou fazer minha morada
Depois de ter passado longe tempos longos
eu a vejo acenando da pedra da praia
com seus lábios de batom cor de rosa
e o farol de fonte luminosa
de seus olhos de nordestina da costa

Já se avistam as jangadas minúsculas
pela distância entre terra e mar
Na claridade frouxa do crepúsculo
meu barco entra na baía bem devagar
E rente a embocadura da foz está
o farol de fonte luminosa
de seus olhos de nordestina da costa

Olhos Nordestinos

Agora eu estou distante
em algum lugar bem longe
Vendo as ondas quebrarem espumantes
e o mar cair no longínquo horizonte

Navegando em mar revolto
navegando de mar em mar
Vagueiam meus olhos soltos
onde quer que ela possa estar

Atracando de porto em porto
atracando em cidades de cais
O remanso do meu olhar absorto
no balanço da saudade que vem e vai

Os albatrozes migratórios cruzam o oceano
e voam velozes para o lugar de destino
Meus olhos criam asas e lançam vista
mas não alcançam o fim longínquo

Os dias fendem os mares
As noites fendem minha retina
Os sóis incendeiam saudades fumegantes pelos ares
As luas inundam a exuberante beleza nordestina

Nos meus olhos cerrados em quimera
ela anda pela beira da praia com água pelas canelas
molhando a barra do vestido de flores de primavera
molhando meus olhos cerrados de saudade dela

A brisa fresca traz de remessas o orvalho
na maresia suspensa em um vento oestino
E atravessa a fresta dos meus olhos
a luz acesa dos olhos nordestinos

Quem dera estar agora de fronte
aos mesmos olhos nordestinos
Olhos de profundo horizonte
qual ao céu que descortina

Mas agora eu estou distante
em algum lugar bem longe
Vendo as ondas quebrarem espumantes
e o mar cair no longínquo horizonte

À primeira vista

À primeira vista

Ela é uma mulher de fala delicada
daquelas tiradas das fábulas de fada
Seus lábios finos de cristal brilhante
me vieram na raridade tal um diamante
Lábios de beijo corado vermelho de fruta
e beijos são fáceis de achar
como o céu acha o sol depois da chuva
mas seu beijo molhado tem o gosto da uva
mais saborosa de se provar

Mulheres passam apressadas pelas ruas
Em leves passos lépidos ela flutua
Tornam-se elas propriedades alheias
por promessas quaisquer corriqueiras
de amores que não passam da meia-noite e meia
Sem que possa ser posse de alguém
não precisa jurar, pois já é verdadeira
Ela iluminou, como nunca, minha vida inteira
e desvanecem em sua penumbra todas que aparecem

Nos refinados lugares reservados
beldades de saltos e rostos maquiados
acendem românticas velas sobre a mesa
em cerimônia de luxo de princesa
Sem vaidade, ela brilha por si só
Seu traço facial me conquista
Ela é natural quando está no meio de nós
e simples com os pés descalços entre os girassóis
mas que me prendeu à primeira vista.

Através da noite

Através da noite a tempestade desaba à beça
e bate com força na janela a água que o céu arremessa.
Com chuva na cabeça da tempestade que despenca,
fito os olhos, sem pressa, na sombra dela,
que projeta o perfil dos seus seios na cortina espessa.

Através da noite até que o dia amanheça
cuido sua janela, esperando que eu mereça
que ela acorde e saia na sacada,
na chuva fica mais bela,
e me veja na guia encharcada.

Através da noite pode até ser que eu adoeça
aqui fora no meio da chuva,
rezando para que um convite aconteça
para eu entrar na casa que ela mora
e, perto da brasa da lareira que chamusca,
guardar o sono dela até altas horas.

Através da noite pode até ser que eu apareça
no próximo enredo dos sonhos dela,
com frio e molhado debaixo da sua janela.
A água que despenca não cessa,
me mete medo e faz com que eu enfraqueça
imaginar segredos que ela não confessa.

Através da noite densa
com o lento ritmo d´água
as trevas acendem minha angústia imensa.
E choveu desde o primeiro momento,
engolindo seco minha mágoa,
sedento vou morrendo.

Através da noite molhada
abro mão da luz do novo dia.
Luz amarela que o sol irradia
renuncio por minha amada.
Abro mão do clarão dos meus dias
pelas noites na guia encharcada.

Vago através da noite calada
esperando debaixo da janela.
Espero por ela diante da sacada,
varando a madrugada solitária dentro,
sob o bruxulear de uma esperança singela,
sob a luz morta de uma simples vela,
somente guardando o sono dela.

Brilho claro dos seus olhos verdes de além mar (Bob Dylan)

- Estou navegando em noites sem cessar.
Chuva ou sol, estou navegando.
Existe algo que eu possa te enviar através do mar,
do lugar onde estarei desembarcando?

- Não. Não há nada que você possa me enviar.
Não há nada que eu queira estar possuindo.
Apenas traga seu barco onde eu possa te avistar,
através desse grande misterioso oceano bravio.

- Mas eu pensei que você pudesse desejar algo bonito,
feito de prata ou de brilhante,
qualquer um do lugar mais recôndito,
qualquer um do lugar mais distante.

- Mas mesmo se eu tivesse a estrela do mais escuro céu
e a pérola do mais profundo oceano,
eu renunciaria tudo pelo seu beijo de mel,
eu renunciaria tudo para dizer que te amo.

- Por um longo tempo posso me ausentar.
A única coisa que estou te perguntando
é se há algo que eu possa te enviar para você me imaginar,
e assim não perceber o tempo passando.

- Não há nada que você possa me enviar,
apenas me traria tristeza.
A única coisa que quero é te tocar
e ver de perto sua beleza.

- Nas noites, nos meus sonhos, você sempre está por perto.
Nos meus devaneios sua imagem é a primeira.
Para aliviar o escuro das noites longas e o futuro do amanhã incerto,
eu te enviaria a luz da mais distante estrela.

- Como pode achar que eu queira algo para me aliviar.
Como pode me perguntar novamente,
se os mesmos olhos que desejo hoje de além mar,
sempre vou desejar futuramente.

Eu recebi uma carta num vazio dia chuvoso,
que vinha de onde ele estava ancorado,
dizendo “Não sei quando estarei em casa de novo,
isto depende do alívio do mar perturbado”.

- Não escolha nenhuma baía mansa para aportar,
não há corrente marítima nesses ancoradouros
que faça você rapidamente navegar
para casa de retorno, seu mais seguro porto.

- Meu amor, você deve voltar ligeiro,
pois tenho certeza que sua mente está vagando,
tenho certeza que seu coração não está mais em mim por inteiro,
mas, sim, no horizonte para onde você está navegando.

- Então preste atenção no tempo e nos ventos.
Preste atenção na mudança do balanço do mar.
Sim, existe algo que podes me enviar neste momento,
o brilho claro dos seus olhos verdes de além mar.