Agora eu estou distante
em algum lugar bem longe
Vendo as ondas quebrarem espumantes
e o mar cair no longínquo horizonte
Navegando em mar revolto
navegando de mar em mar
Vagueiam meus olhos soltos
onde quer que ela possa estar
Atracando de porto em porto
atracando em cidades de cais
O remanso do meu olhar absorto
no balanço da saudade que vem e vai
Os albatrozes migratórios cruzam o oceano
e voam velozes para o lugar de destino
Meus olhos criam asas e lançam vista
mas não alcançam o fim longínquo
Os dias fendem os mares
As noites fendem minha retina
Os sóis incendeiam saudades fumegantes pelos ares
As luas inundam a exuberante beleza nordestina
Nos meus olhos cerrados em quimera
ela anda pela beira da praia com água pelas canelas
molhando a barra do vestido de flores de primavera
molhando meus olhos cerrados de saudade dela
A brisa fresca traz de remessas o orvalho
na maresia suspensa em um vento oestino
E atravessa a fresta dos meus olhos
a luz acesa dos olhos nordestinos
Quem dera estar agora de fronte
aos mesmos olhos nordestinos
Olhos de profundo horizonte
qual ao céu que descortina
Mas agora eu estou distante
em algum lugar bem longe
Vendo as ondas quebrarem espumantes
e o mar cair no longínquo horizonte