Leve toque do destino

Eles andavam de mãos dadas
rente a espuma branca que se espalha
caminhando pela beira da praia
deixando rastro de pegadas
na areia fina do caminho
caminhando juntos, ao longo da faixa,
por um leve toque do destino

Com a barra da saia molhada
pelas ondas que lambem a beirada,
ela viu conchinhas rodopiarem
na espuma branca espalhada
Rodopiando até as voltas cessarem,
uma repousou envolta na areia fina
e abriu um vão e mostrou um pequeno vazio
e um leve brio empurrou o destino
e encheu a concha com um tênue toque fino

Eles andavam de mãos dadas
rente a espuma branca que se espalha
caminhando pela beira da praia
deixando rastro de pegadas
na areia fina do caminho
caminhando juntos, ao longo da faixa,
por um leve toque do destino

Feito vaga-lumes vagando na madrugada
faiscando súbitas fagulhas douradas,
ela viu as estrelas rodopiarem
nas brumas da noite cerrada
Rodopiando até as voltas cessarem,
uma repousou em volta da lua solitária
para formar o casal mais lindo
e um leve brio empurrou o destino
e trouxe a estrela com um tênue toque fino

Eles andavam de mãos dadas
rente a espuma branca que se espalha
caminhando pela beira da praia
deixando rastro de pegadas
na areia fina do caminho
caminhando juntos, ao longo da faixa,
por um leve toque do destino

Nos caminhos alheios da vida
os atalhos embaralham a vista
e fazem passos rodopiarem
na distância longa da trilha
Rodopiando até as voltas cessarem,
seus passos deram voltas perdidas
e eles se espalharam no caminho
E um triste brio empurrou o destino
e seus passos caíram no precipício de um abismo

Agora ela anda pela beirada
rente a espuma branca que se espalha
caminhando pela beira da praia
deixando rastro de pegadas
na areia fina do caminho
caminhando só, ao longo da faixa,
por um triste toque do destino

A rajada afoita de uma ventania
açoita as vidas mortas na guia
e faz as folhas secas rodopiarem,
levadas no vento, arrastadas à revelia
Rodopiando até as voltas cessarem,
voaram no vaivém de voltas infindas,
mas não repousaram no lugar de início
E um triste brio empurrou o destino
e soprou as folhas para um lugar longínquo

Agora ela anda pela beirada
rente a espuma branca que se espalha
caminhando pela beira da praia
deixando rastro de pegadas
na areia fina do caminho
caminhando só, ao longo da faixa,
por um triste toque do destino

Abrindo a janela de um novo dia
o horizonte se afina numa linha
e ela vê as andorinhas rodopiarem
em pleno céu, voando à deriva
Rodopiando até as voltas cessarem,
escorregaram nas voltas de um arco-íris
e voaram para longe do ninho
E um triste brio empurrou o destino
e se foram nas asas dos passarinhos

Agora ela anda pela beirada
rente a espuma branca que se espalha
caminhando pela beira da praia
deixando rastro de pegadas
na areia fina do caminho
caminhando só, ao longo da faixa,
por um triste toque do destino

Na armadilha das lembranças da vida
ela anda, não nota e pisa,
e vê suas mãos soltas rodopiarem
em desatino sem o par antigo
Rodopiando até as voltas cessarem,
viu um aceno agitar em voltas livres,
e amorteceu sua sina com um suspiro
E um leve brio empurrou o destino
e juntou as mãos com um tênue toque fino

Agora eles andam de mãos dadas
rente a espuma branca que se espalha
caminhando pela beira da praia
deixando rastro de pegadas
na areia fina do caminho
caminhando juntos, ao longo da faixa,
por um leve toque do destino

Com a barra da saia molhada
pelas ondas que lambem a beirada,
ela vê conchinhas rodopiarem
na espuma branca espalhada
Rodopiando até as voltas cessarem,
uma repousou envolta na areia fina
e abriu um vão e mostrou um pequeno aviso
“que um leve brio empurra o destino
No mais, basta apenas um tênue toque fino”