Eles sentavam juntos no banco da praça
no fim da tarde, olhando o povo que passa.
Trocavam olhares de graça
que tocavam seu coração
e cravejado de solidão,
desejou voltar àquilo tudo que já passou
e reviver uma simples história de amor.
Eles andavam juntos pelo velho caminho.
De longe, avistaram um bicho pequenino
revolvendo gravetos, fazendo ninho
com o sol da manhã batendo naquelas asas.
Ele se sentiu sozinho na imensidão da sua casa
e tentando esquecer qualquer tipo de dor,
pensou numa simples história de amor.
Um violão de algum lugar longe tocava,
uma melodia triste no ar se desmanchava.
Uma luz projetou o vulto escuro de uma sombra
que ele imaginou como sendo a silhueta dela.
Ele depositou sua única moeda numa tigela
de um pobre velhinho cego, que lhe deu uma flor,
que o fez recordar uma simples história de amor.
Ele não acordou quando ela partiu na madrugada
Na cama desarrumada não viu a nota deixada.
Pela manhã, sentindo o vácuo do quarto,
abriu a janela da suspensa sacada que dá para a rua,
sentiu na flanela molhada de lágrima que ela era sua,
um sentimento de beijá-la e sentir seu calor
e se aquecer numa simples história de amor.
Ele percebe o tempo vagamente passando.
Versos tristes um poeta desvalido vai recitando.
No beco dos soluços, soluços de um palhaço chorando,
que o faz pensar sobre felicidade,
que isto não existe, que não é verdade.
Lá no horizonte é triste o sol se pôr.
Lá longe, uma simples história de amor.
As pessoas dizem que é sorte
saber amar e ter alguém como norte.
Mas quando não se tem nada, tem que ser forte.
O tempo passou e não volta ao que era.
Ela nasceu numa calorosa colorida primavera,
para uma simples história de amor predestinada.
Ele nasceu tarde, numa nebulosa exaurida invernada,
numa outra época, num dia sem cor,
sem uma simples história de amor.