Chico Buarque exibe um largo sorriso para noite que se anuncia,
de uma maneira que encanta
Vinicius de Moraes, de olhos arregalados, é amigo da boemia,
analisa a lua lisa e as estrelas numa imensa dança
Tom Jobim alinha sua gravata da melhor maneira que podia,
ajustando seu terno para a hora da festança
A voz que ecoa é de um Buarque de alma e alegria,
que se perde no vazio e esparrama pelo chao
O poema quem vai recitando é um Moraes de fantasia,
exaltando a mulher como a mais bela criação
A fumaça do cigarro é de um Jobim de espírito e nostalgia,
entregue às divagações e pensando na mais bela canção
A madrugada testemunha desencontros
e tem a tristeza como filha
A lua é a dama da noite
e é a que mais brilha
O silêncio é o que restou afinal,
e o sol vem para acabar com a festa geral
O vazio e as mesas duras e nuas são fim de festa
Chico Buarque exibe um meio sorriso beatífico
Vinicius de Moraes, de olhos semicerrados, vagamente cesta
e decola para os campos oníricos
Tom Jobim, com a gravata fora do colarinho enlaçando o pescoço,
já vagueia nas nuvens num delicioso repouso,
sugere seu modo de olhar fosco,
sobre as quais já flutuam Buarque e Moraes num sono profundo gostoso.