Negro Vulto

Pela campina eu só vejo seu vulto,
e o dia está ficando escuro.
Assim que a noite cai como um toldo,
sua pele se confunde com o mato turvo.
Então meus olhos cerrados abrem-se em devaneios,
e traz você para dentro da minha imaginação,
e o vento sopra um assovio em meus ouvidos,
que são sussurros de cânticos planando na imensidão,
fendendo a quietude, quebrando o silêncio contido.

Pela campina só vejo seu vulto,
e o dia está ficando escuro.
Assim que a noite cai como um toldo,
as estrelas me apontam ao seu desejo puro.

Da paisagem perante minha visão,
minha mente começa se esfumaçar.
Da sacada torno os olhos para o quarto
e vejo a cama que você costumava deitar.
Então uma densa nuvem desenha uma figura,
que eu imaginei como sendo um sinal,
e as estrelas descrevem um caminho na colina,
que tem seus olhos como ponto final,
levemente ofuscados pela névoa fina.

Pela campina só vejo seu vulto,
e o dia está ficando escuro.
Assim que a noite cai como um toldo,
as estrelas me apontam ao seu desejo puro.

Por esse estreito e sinuoso caminho de terra,
é difícil saber para onde me leva.
Pelo cheiro que exala da flor por onde você passou,
me direciono pela réstia de luzes nas trevas.
Então uma incandescente estrela cadente risca o céu,
indicando entre a folhagem seu rastro no chão,
e uma picada se abre revelando um caminho oculto,
e relâmpagos irrompem rasgando a escuridão,
centelhando a senda de seu negro vulto.

Pela campina só vejo seu vulto,
e o dia está ficando escuro.
Assim que a noite cai como um toldo,
as estrelas me apontam ao seu desejo puro.