Quantas vezes

Quantas vezes
eu acharia teu caminho
e pisaria o teu chão
eu seria triste e sozinho
a noite me flagraria na total solidão

Quantas vezes
meu sol despencaria
e a tempestade também
eu sozinho me perderia
com os olhos voltados pro além

Quantas vezes
meu céu desabaria
minha madrugada escutaria cada trovão
a chuva cairia
nem o relâmpago iluminaria minha visão

Quantas vezes
eu provaria da verdade nua
não seria tão bonita a garça
eu não mais veria a lua
o universo não teria graça

Quantas vezes
a neve não seria tão macia
o deserto seria mais seco
o mar não mais existiria
minha estrela sumiria num beco

Quantas vezes
depois do inverno não viria a primavera
o mar secaria por inteiro
minha alma cairia na mais profunda cratera
mesmo assim, para seu colo eu correria ligeiro