Palácios de mármore

Talvez seja o pé de caqui no quintal
Cujos frutos de um outono maduro
Pendem como bolas pingentes de natal
Ou pode ser de madrugada no escuro
Que você vem na névoa fina de mármore
e envolve e pousa na copa das árvores

São nas pequenas rolinhas no chão varrido
Que você enfeita o quintal nos dias de sol
E a privamera deita um tom mais colorido
Ou é no vôo de um pequeno rouxinol
Que você vem na brisa fina de mármore
e sopra e sacode a copa das árvores

Até no inverno que exauri restaura a vida
E o verão chega quando o novo amanhece
E tudo se renova nos pés miúdos da Sofia
E os frutos dos caquis graúdos amadurecem
Que você vem na névoa fina de mármore
e envolve e pousa na copa das árvores

Eu não posso ver ou te tocar
Mas sinto teu sopro na ponta dos dedos
E sua presença está em todo lugar
No vento que oscila as folhas do arvoredo
Que você vem na brisa fina de mármore
e sopra e sacode a copa das árvores

Eu olho para o leste, eu olho para o oeste
As estações passaram e você passou para outra estação
Que eu lembro quando vejo o azul celeste
Com os meus pés cravados no chão
E lá deve haver finos palácios de mármore
e os anjos pousam na copa das árvores